"Talvez que sobre outras coisas pudesse arranjar lamentações suficientes para encher uma tenda de circo, mas o caminho que escolhi tem sido sempre o correcto e não quereria que tivesse sido de outra maneira." [Nicholas Sparks in Diário da Nossa Paixão]
E mais uma vez trilhei as pegadas que quis, como quis, sem me justificar em demasia mas também não caminhando sem explicações. Quando um objectivo não se cumpre [e eu fazendo parte da culpa por isso…ou não…] sinto que algo diferente me chama, nem que seja pelo simples facto de abandonar o que fiz e que não se realizou na sua complexidade. Por isso abandono este blog, saindo não pelas portas traseiras, pelos meros e vagabundos bastidores, mas pela porta principal, pelo tapete vermelho, de cabeça erguida, pois o que fiz foi bom [mesmo sendo pouco…] e, acreditando ou não que, ao sair por esta porta, ninguém do outro lado estará para me aplaudir, mais uma vez aprendi que de cabeça erguida se forma uma pessoa, que de face lavada me torno SIMPLESMENTE [uma] MULHER…

"Deixa o silêncio ser agora a voz
onde todo o dizer se faz presente.
Deixa o silêncio ser
água correndo
do mistério distante da nascente."
[Fernanda Seno]
"É a possibilidade que me faz continuar e não a certeza." [Nicholas Sparks in Diário da Nossa Paixão]
"Anda, aproxima-te, não tenhas medo…" - disse-me ele uma voz calma e sedutora que imediatamente me fez estremecer a Alma e paralisar o meu corpo por alguns instantes. Fiz o que me mandou, avizinhei-me dele e encostei a minha cabeça pesada no seu ombro... Ele, enquanto me acariciava o cabelo, pedia amor e paixão, pedia algo que o trouxesse de novo para a vida, para a alegria de passear neste mundo!
Um copo puxa outro, um toque atrai outro, um beijo quase a acontecer, um coração acelerado à procura de apenas de mais uma aventura!
Pegou-me na mão e abandonamos o bar. Levava-me em direcção à sua casa para, depois de mais um copo ou outro, lhe ser confiada a chave do cofre!...
A casa era enorme, sombria, não tinha rastos de pegadas, passos, risos e vidas... era só ele e mais as suas estátuas, era apenas a sua alma e o sossego do Inferno! Assustei-me com o aspecto da mansão, arrepiei-me a cada porta que trespassava, sentia medo de algo inanimado, não percebia o porquê...
O quarto simples, a cama gigante que fez me esquecer o horror do resto da casa, o café quente que ele me serviu amigavelmente!... Quero dar-te o Mundo, quero ter-te aqui... ouvi ressoar na casa. Não, não era isto que eu queria de ti. Estou apegada a um fantasma e com ele não sei viver. Vai para trás, não quero comprometer-me!

Mas dei-me, entreguei o meu corpo desesperadamente porque tal como ele eu também precisava de algo que me prendesse à Vida! Tal como ele, preciso de um outro para esquecer... para matar o fantasma com o qual aceitei Viver durante tanto tempo mas que progressivamente me arrasta para a Morte... precisava de enganar me a mim mesma e pensar que esta seria a esperada Salvação!
Deixo-me observar durante alguns segundos, uma troca de olhares, uma tentativa de comunicar... olho para o lado, desvio os meus pensamentos dos teus e não os quero cruzar mais alguma vez! Doeu...
A tua vivacidade contrasta com a minha apatia, mas não me preocupo com a discrepância de vidas que levamos! Um caminho novo prepara-se para ser percorrido por nós separadamente, mas com tanto ainda que nos une, com um mundo que se abismou há pouco tempo atrás, com uma arca repleta de momentos bons e maus que partilhámos e com um sorriso que nos acompanhará sempre que recordemos o que um dia constituiu um "Nós" nesta vida...
A separação, a dificuldade de viver, a dor de te ver constantemente comigo, nos meus sonhos, nos meus pensamentos diários, nas fotos, nas palavras que soletro... cada sussurro do vento és tu a espreitar na minha vida!
Começo a perder o controlo de mim e do mundo, começo a alucinar as pessoas que comigo tentam conviver, temo o desatino total do que fui, do que sou, do que serei... passado, presente e futuro... vida e morte... tu e eu... Antagónicos!
Caminho deslizando em tua direcção, ser humano frágil e perigoso... apenas visualizas um vulto, escuro, uma mancha que não distingues! sim, sou Eu...
Não fujas, eu apanho-te de qualquer das maneiras... bato-te à porta com suavidade e sei que me deixarás entrar! Por muito que não queiras, não consegues resistir à minha doce sedução, a vontade e curiosidade de conhecer algo a que não tens direito leva-te à loucura, e mesmo tentando impedir a minha chegada e consequente entrada, acabas sempre por ceder...
Como gosto de ti, Humano... como gosto de sorrir maleficamente quando te vejo ao meu colo, encantado com a viagem que te ofereço... deixo-te atordoado sempre com o meu olhar hipnotizante e sei que adoras que eu te envolva nesta espiral de aventura...
Anda, vem comigo...
Sou A TUA MORTE...

Uma sala vazia, oca, sem presença nem ausência, apenas perdida na imensidade da escuridão... uma mulher ao canto, que chora em silêncio com medo que as paredes oiçam! Um corpo que treme de frio, umas mãos frágeis que se agarram ao nada, um pensamento que voa bem longe, na procura e descoberta de cores e companhia!...
Um abandono que não tem cor, nem palavra... um corpo que não tem nome, nem forma, afogado pelas lágrimas que caíram do rosto. Um sentido de vida perdido, um sonho desfigurado, um sala escura, um corpo gelado, uma morte planeada, um desejo ferido, uma mão que não ajuda... um olhar vazio, um abandono sentido!

Aproximo-me da janela do meu quarto e observo o Oceano profundo e magoado que se dispõe à minha frente... as ondas, harmoniosas e delicadas, beijam a areia suave e fina que se perde pela imensidão da praia...
Estou bem, estou feliz por ser quem sou, por fazer o que faço, estou satisfeita com a minha personalidade e estou radiante por ter esta essência, esta pureza feminina que habita em cada Mulher...
Tal como o mar beija a areia, a Mulher beija a vida, o amor, entrega-se a cada passo, constrói um caminho para cada ser vivo que a rodeia, vive cada momento com a sua beleza perdida na labareda de uma fogueira...
Tal como o mar perfeito delineia as suas ondas, o corpo da mulher é uma espiral de desejo, uma linha desenhada no céu pela unha de Deus, é sensual como o sal que a onda traz consigo, é paixão como a força com que as ondas batem contra as rochas, é vitória como a imensidão do Oceano...
Enfim, Mulher, como alguém algures disse, é um oceano profundo de mistérios...
Desvendem-nos...
